Wednesday, December 22, 2010

A origem da arte



("No jesus II" by Scarlett Ann Perkins in Diário Visual V caneta e lápis de cor sobre papel)

Dizem que a arte no seu profundo conceito criativo, nunca parte da felicidade, pois a felicidade é vazia, e há pouco de profundo em ser feliz.
Então qual é a origem do conteúdo mais profundo e da inspiração que leva à magia do acto artístico? Segundo eu sei, há três: A depressão, o ópio e os ácidos.
Talvez existam mais, mas eu não sei quais são. E não estou muito interessada em saber.

Estou aqui sentada a escrever, estou inconformistamente aqui, estou sempre. Não sei porque é que na religião, tal como na arte é impossível haver algo que agrade a todos. Eu sei que somos todos diferentes e essa é a razão. Mas não é essa a razão. Há outra. Mas ninguém sabe qual é.

Voltando ao assunto anterior.

Dizem que os artistas só conseguem criar uma obra de arte quando estão desconfortáveis com o seu estado de espírito. Ou estão deprimidos, ou estão revoltados, mergulhados na raiva produzida pelo caos, ou ainda consumidos por uma nuvem de fumo colorido que entrou pelos seus lábios e não voltou a sair.

Uma sereia a voar.

Está bem. Não estou deprimida agora. Mas estou sempre inconformada. Jesus também estava. Mas eu não gosto dele. A verdade é que me fascina o mito em volta dele criado. Mas dele, não gosto, era um falso modesto do caralho.

Não acredito em nada disso.

"Fuck god, believe in yourself!" True. Mas nem em mim acredito.

Hail Bastet!

Ainda não estou deprimida. Hoje não vou estar. Porquê? Não digo. Mas foi um bom motivo. Mas como não estou deprimida nem em ácidos também não vou produzir arte. Quem Disse??

Ainda sou mentalmente sã-moralmente? Nunca fui.

Sunday, December 19, 2010

UGLEH II

Disseste me que ser feliz dependia de quem sou e da crença que em mim deposito. Já discordei. Permite-me que discorde mais uma vez. Assim que me conformar com o que sou ou o que possuo, estarei morta e aqui deixarei de estar, está morta a minha alma. Alma imortal assim não é.
Não sou assim. Não nasci para me conformar. Não me contento com o que tenho muito menos sendo o que tenho tudo menos algo carregado de qualidades qual vaso de flores na primavera. Eu sou só um molho de rosas secas e negras. Nem sequer tenho vaso. Estou na berma de um rio e ainda não me deixei ir na corrente. Não só por não querer. Mesmo que fosse a minha vontade seguir a corrente que esse rio toma, não iria eu sei capaz de o acompanhar. Rios há-os aos montes carregados de águas turvadas por corrupção e discórdia. Não quero um rio desses.

No meu rio há cores e smoke on the water. Só não sei onde ele está. Já terá sêco qui'çá.

Eu como um eterno falhanço. O declínio do pó que se acumula sobre o espelho partido.

Dois gatos mortos na rua. Foram outrora felizes. Eu viva em casa, procurando saber o que é ser feliz.

Tu já procuras, secalhar até já sabes. Tens uma resposta-para ti. Mas eu não sigo a tua, não iria funcionar. Eu sou diferente de ti, tal como todos somos uns dos outros.

Eu ainda procuro a minha resposta. É claramente uma resposta mais difícil de encontrar do que a tua. Ou se calhar eu sou má a procura-la, como a tudo o resto que tento fazer.
Une merde.
Mas a vida é assim mesmo. A morte será melhor.

Que a sanidade esteja comigo.

Boas noites.

Friday, December 17, 2010

UGLEH

Tudo o que eu faço, nunca é bom o suficiente. Tudo o que tento fazer é sempre mau o suficiente para não me satisfazer a mim nem a ninguém. Ninguém se orgulha de nada que tenha sido resultado do meu trabalho, indivíduo algum é capaz de o apreciar. Não censuro ninguém. Estou de acordo com todos vós- Eu sou uma merda.
Sou feia. Sempre soube que sou feia. Nunca me orgulhei da minha terrível forma física nem dos meus (des)atributos faciais. Tenho a pele branca, como um fantasma, pareço uma morta, junkie, sangue evaporado pelo sol negro. Os lábios roxos e cortados do frio. Que nojo. "Que nojo de mim me fica" (F. Pessoa) O meu corpo é disforme e desproporcional. Viva la Muerte. Os meus olhos não são bonitos e brilhantes como os das raparigas bonitas. A minha melhor amiga tem olhos bonitos, aliás, ela é bonita, e eu "sou um mar de sargaço".

Que cena fútil.

Sim, Porque a pouca auto-estima que eu possuía estava relacionada com o meu intelecto. Intelecto esse que entendi ter perdido. Ao ponto de estar aqui a discutir beleza. UHU para ti também.

Sim, snifar cola nunca fez mal a jesus, por isso a mim também não vai fazer.
"Faz mal ao cérebro." Tass bem, o meu também já não tem qualquer função a desempenhar.

Ofereçam me sabians e sybians no natal :)

Ainda sou uma pessoa sã. Bem, sã eu sei que sou. Uma pessoa? já não tenho a certeza.

Tuesday, December 14, 2010

Dance of the Dead


Dançar é uma forma de estar no mundo. A minha infância, a dança da loucura.
Claridade? Candura? Inocência? Pessoa está de facto muito longe da realidade quando fala da infância...chega o poeta até a questionar-se se terá a sua realmente existido. Indivíduo algum poderia alguma ver cair em tamanho equívoco; pois muito bem, pelo menos houve um aspecto no qual o poeta não errou. Exteriormente ele conclui algo, um facto com o qual eu concordo:
"A infância torna-nos naquilo que somos."
Verdade Pura. Não há margem de dúvida.

Por vezes, a infância tem a função de um teste de sobrevivência, assim como a minha, que funcionou também como uma máquina de criar monstros.
Como é possível que tenha eu sido forçada a entrar nesse engenho pelo demo manejado? Uma vez la dentro, toda a inocência que era minha me arrancaram, tiraram de mim a minha sanidade dando assim lugar a uma crónica dor de viver (não de pensar) deixando apenas o apreço à Morte, ao mistério, à ilusão de sentir, ao poder concentrado em cada gota do meu sangue.
Encontrei a música, a dança, e desde sempre às duas me fixei para, por momentos, encurralar a minha loucura.
Sempre fui o pássaro negro, o corvo. Nunca ninguém gostou de mim. No entanto, isso jamais me incomodou. Encontrei aos 11 anos Edgar Allan Poe e revi-me na sua poesia. Revi a minha dor na sua dor.
A minha falsa sanidade, alimento-a dançando, choro enquanto danço, mato enquanto danço, mas meus pés não param de dançar.
"Nostalgia do Presente!"- Afinal de contas, tenho algo em comum com Fernando Pessoa. Infelizmente. Peço imensa desculpa.

( O Cartaz acima é referente ao espectáculo de bailado "Contrastes e Sintonia" que se vai realizar no dia 20 de Dezembro na Casa da música e no qual eu vou participar :D )

Monday, December 6, 2010

Quando a Luz se converte numa espécie de escuridão...

"Your messias was a Pirate" sketch de Scarlett Ann Perkins in Diário Visual V

Porque é que todos associam a Luz a algo divino? Não falo apenas de Jesus Cristo ou Deus, mas sim de vários ícones religiosos que podem até remontar ao Budismo, Hinduísmo, etc... Em quase todas as religiões a Luz é vista como algo divino.
Será que é mesmo assim? Porque assumirmos que a luz é o oposto da escuridão e não o culminar da reunião de tudo o que se associa às trevas?

Estou aqui quieta sem fazer nada. Estou a olhar à minha volta. Em todos os lugares que há luz, por perto vejo sombras.
A Luz so existe para que consigamos ver a escuridão. A Luz não é divina pois o termo que exprime este conceito de que falo hoje tem 3 Letras, e 3 não é um número divino, é um número do inferno.

Secalhar o inferno é divino. Nem sei o que é ser divino. Nem sei se isso Existe.

Mas existe o mistério, esse vai sempre existir.

Sunday, December 5, 2010

Real Irreal

"Ainda nao nasci. Estou no ventre da minha mãe, o seu ventre é o cosmos. Algo me puxa, não sinto nada, ainda não estou apta para ver. O que se está a passar, onde estou, que luz é esta caralho?"

E assim, para a desordem me lançam. Mas não terá assunto debater a miséria na qual estamos, porque sobre ela ja me debato demasiado. São 10 da manha. É domingo. Cheguei a casa as 6h da manha e estou aqui, acordada e escrever, estou a flipar tanto que até uso palavras tipo flipar. No way. Escrita formal. Esqueçam o flipar. Epa assim nao dá. Não vou conseguir transmitir o que estou mesmo a pensar sem ficarem a pensar que sou doida. Whatever, tou me a cagar para o que pensas de mim. Agora lê o resto.

(Pausa para beber um chá)

Anyway, o que eu quero dizer é que nenhum de nos se lembra do exacto momento em que deixamos de estar no ventre materno e passamos para o lado de cá. Mas estranhamente todos portamos no nosso subconsciente a sensação de que se estava mesmo bem quando se estava lá. Se calhar temos razão.
Se repararem, há alguém que quer que ache que não temos. Nós estamos no ventre, aquilo é tudo para nós, quando de lá sais, o que levas contigo dali é o sangue, e esse sangue tiram to logo, para que nem uma réstia de cosmos penetre nos teus poros já corrompidos pelo próprio oxigénio deste falhado mundo. Sim, porque o mundo é um grande FAIL (up yours Bush!). Assim que te tiram o sangue, segues nesta vida onde te tentam impingir que o sangue é nojento ou até te tratam como tolinho se gostares de sangue, do género " What the fuck tu vês filmes com sangue és mesmo marada dos cornos ca granda nojo és totil esquisita". Não. Calem-se todos com essa merda. O sangue é aquilo que está dentro de mim, é o que me faz viver, era o único vestígio do cosmos onde outrora vivi e agora foi-se. Tiraram-mo. Os filhos da puta levaram a única coisa que eu tinha e que era minha, da minha mãe, livre de corrupção deste mundo imundo e nojento, desta pocilga de merda. Ok, abranda os ânimos mulher.

Tiraram me o unico vestigio do que outrora fui assim que aqui cheguei. Quer isso portanto dizer que alguém não quer que eu me lembre de quem eu era. E Porquê? E quem é esse alguém que me tirou do sangue e do ventre da minha mãe?

Por muito diferentes que sejamos temos todos algo em comum. O sangue. O sangue une-nos. É mais do que um liquido vermelho ou azul que anda nas veias e as pessoas inventaram que mete nojo. O sangue é humano. Une-nos a todos. E o que precisamos mais agora é estar todos unidos.
Começa por ti, une-te a mim, o meu sangue é o teu sangue.


Que fique aqui bem claro que eu sou uma pessoa normal e profundamente sã.